Operação Resgate VI liberta 479 trabalhadores e reforça urgência de fortalecimento da Auditoria-Fiscal do Trabalho

Ação interinstitucional coordenada por Auditores-Fiscais do Trabalho realizou 231 fiscalizações em todo o Brasil, resultando no resgate de 479 trabalhadores(as), 16 na Bahia.
Alojamento de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão — Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)
A Operação Resgate VI, ação interinstitucional coordenada por Auditores-Fiscais do Trabalho (AFT) vinculados à Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), resgatou 479 trabalhadores em condições análogas às de escravo em todo o território nacional. Do total de resgatados, 75 eram mulheres, 13 eram crianças e adolescentes e 66 eram migrantes vindos de países das Américas e da África.
Realizada entre 1º e 31 de agosto de 2026, a Operação Resgate articula desde 2021 a atuação de diversos órgãos públicos. Liderada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, a força-tarefa contou com a parceria do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF), realizando 231 ações fiscais.
A maior parte dos resgates ocorreu no meio rural (57,5% das fiscalizações, com 292 trabalhadores resgatados), enquanto o setor urbano representou 36,5% das ações (178 resgatados). No trabalho doméstico, 14 empregadores foram fiscalizados e 9 pessoas foram resgatadas. A Região Sudeste liderou o número de resgates (267), com destaque para Minas Gerais (208). Na Bahia, foram 16 trabalhadores libertados.

Entre as principais atividades econômicas com flagrantes de trabalho escravo destacam-se a construção civil (85 resgatados), o cultivo de café (53), de cebola (47), de batata-inglesa (44), lavouras temporárias (43) e extrativismo florestal (29).

Os empregadores autuados foram notificados a paralisarem as atividades, quitarem os débitos trabalhistas e rescindir os contratos formalizando-os retroativamente, somando mais de R$ 1,4 milhão pagos em verbas rescisórias. Os trabalhadores resgatados também receberam o seguro-desemprego especial. Além disso, a operação gerou cerca de 1.836 autos de infração e 28 interdições por grave e iminente risco, além de identificar 1.192 trabalhadores atuando na informalidade.

A Luta Sindical e a Necessidade Premente de Convocação dos Aprovados do CNU

Embora os resultados da Operação Resgate VI comprovem a relevância essencial da inspeção do trabalho para a garantia dos direitos humanos fundamentais, a extensão dos resultados contrasta com o severo e histórico deficit no quadro de Auditores-Fiscais do Trabalho (AFT) em todo o Brasil.
Diante dessa realidade, a mobilização e a luta sindical revelam-se pilares cruciais para a defesa da categoria, a recomposição dos quadros e o fortalecimento do Ministério do Trabalho e Emprego. A atuação firme dos sindicatos tem sido determinante para pressionar as instâncias governamentais pelo cumprimento de diretrizes que garantam uma fiscalização robusta e permanente.
Para que a Auditoria-Fiscal do Trabalho possa ampliar sua presença de campo e ter alcance efetivo nas fiscalizações do trabalho — especialmente em estados de grande extensão territorial e complexidade produtiva como a Bahia —, torna-se imprescindível a contratação imediata de todo o cadastro de aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU).
A convocação da totalidade dos aprovados e integrantes do cadastro reserva do CNU não apenas mitiga o deficit crônico de servidores, mas garante a continuidade de operações de grande porte como a Resgate, combate a informalidade crescente e protege milhares de trabalhadores vulneráveis nas zonas rurais e urbanas do país.

Os Casos Registrados na Bahia

No estado da Bahia, a força-tarefa inspecionou 28 empregadores. Os destaques das ações de resgate incluem:
  • Nazaré: 11 trabalhadores foram resgatados na extração de piaçava. A fiscalização constatou moradias em alojamentos de taipa com risco de desabamento, instalações elétricas precárias com risco de choque e incêndio, além da ausência total de água encanada e instalações sanitárias básicas.
  • Feira de Santana: 4 trabalhadores foram resgatados em uma comunidade terapêutica, onde o trabalho dos residentes era utilizado de forma estrutural para a manutenção da instituição sem pagamentos, registro ou descanso, disfarçado de etapa do tratamento.
  • Simões Filho: Um idoso que trabalhava sem registro e vivia em alojamento em condições degradantes foi resgatado em uma fábrica de ração.
As fiscalizações abrangeram municípios atendidos pelas Gerências Regionais de Salvador, Camaçari, Feira de Santana, Juazeiro e Vitória da Conquista. Como as ações fiscais seguem em andamento, novos resgates podem ser consolidados.

Canal de Denúncias

Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota, gratuita e sigilosa por meio do Sistema Ipê, mantido pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT):