Arte, Educação e Proteção Social: SINAIT DS/BA Participa de Abertura Semestral na UNEB e Destaca Enfrentamento ao Trabalho Infantil

Rede de proteção e meio acadêmico unidos pela erradicação do trabalho infantil

 

Artista Elinaldo Costa fala para platéia de docentes e discentes da UNEB. FOTO: Divulgação.

O combate ao trabalho infantil exige uma articulação contínua que ultrapassa a fiscalização direta nos ambientes de trabalho, alcançando os espaços de formação crítica e produção do conhecimento. Com esse propósito, a Delegacia Sindical da Bahia do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (SINAIT DS/BA) esteve presente no dia 17 de agosto no auditório do Departamento de Educação (DEDC I) da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), no campus de Salvador, para integrar a programação de abertura do semestre letivo.

A solenidade contou com o lançamento da exposição do artista plástico Elinaldo Costa, cujas telas expostas nos corredores do departamento provocam uma reflexão sensível e profunda sobre a exploração do trabalho infantil. O evento ocorreu a convite da Profa. Dra. Valnice Paiva, líder do Grupo de Pesquisa TIPEMSE/UNEB.

A Auditoria-Fiscal do Trabalho e a Rede de Proteção
Durante a composição da mesa do evento, o presidente da Delegacia Sindical do SINAIT na Bahia e Auditor-Fiscal do Trabalho, Diego Leal, ressaltou a natureza muitas vezes invisível do trabalho infantil e a importância do trabalho coletivo para garantir o direito de crianças e adolescentes a um desenvolvimento pleno.

AFT Diego Barros Leal, Presidente Sinait DS/BA. FOTO: Divulgação.

 

“O trabalho infantil pode estar dentro das nossas casas, das casas dos nossos conhecidos e familiares. Os servidores encarregados dessa fiscalização são os Auditores-Fiscais do Trabalho, mas ela não é só exercida pelos auditores: são várias entidades reunidas no que chamamos de uma rede de proteção.”, destaca Leal.

 

 

 

Na sua fala, Dra. Viviane Martins, Juíza do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), aponta o papel de liderança comunitária e intelectual que a universidade pública deve exercer: “É fundamental pensarmos qual é o papel da universidade: produzir, pensar, apresentar respostas e ver como nós podemos nos engajar comunitariamente nesse enfrentamento.”

 

Algumas telas de Elinaldo Costa, exibidas nos corredores do DEDC/UNEB, em Salvador. FOTO: Divulgação

Arte como Instrumento de Transformação
As telas de Elinaldo Costa retratam realidades marcantes vivenciadas por milhares de jovens, como o trabalho informal na catação, no comércio ambulante e no campo. Citando o poeta Ferreira Gullar — “A arte é necessária porque a vida não basta” —, o artista pontuou a importância de provocar o público acadêmico e futuro corpo docente da UNEB a enxergar e agir contra essa grave violação de direitos.

A Profa. Ma. Janeide Medrado Ferreira (Diretora do DEDC I/UNEB) e a Profa. Dra. Valnice Paiva destacaram a relevância de colocar os estudantes em contato direto com os atores da rede de proteção social, formando multiplicadores dessa causa nas salas de aula.

 

União Institucional
O evento reuniu representantes de diversas entidades comprometidas com a infância e juventude na Bahia, fortalecendo parcerias entre o SINAIT DS/BA (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho – Delegacia Sindical Bahia), UNEB (Universidade do Estado da Bahia – DEDC I), TRT-5 (Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região), MOVE (Movimento Universitário pela Valorização da Educação e Erradicação do Trabalho Infantil), FETIPA-BA (Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e Proteção ao Trabalhador Adolescente da Bahia) e TIPEMSE/UNEB (Grupo de Pesquisa da UNEB).


O SINAIT DS/BA reitera seu compromisso em atuar incansavelmente no fortalecimento da Auditoria-Fiscal do Trabalho de maneira integrada com toda a sociedade, para que nenhuma criança tenha sua infância roubada pelo trabalho precoce.

Risco de acidentes: Inspeção do Trabalho interdita passarela para ambulantes do carnaval de Salvador

Tarde de 31 de janeiro. Mais uma quarta-feira quente de verão em Salvador. Uma semana para o carnaval. Durante a montagem de uma estrutura projetada para ser uma espécie de passarela para os vendedores ambulantes que trabalham durante a festa, na região entre o Farol da Barra e o Barravento, uma ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho identifica graves irregularidades na execução da obra. O que era para melhorar a vida dos trabalhadores durante a festa, estava colocando em risco quem trabalhava para montar as estruturas.

Operário se arrisca durante atividade em altura sem proteção. FOTO: Divulgação

 

 

Em altura de até 4,5 metros, os trabalhadores executavam tarefas de montagem e tarefas auxiliares, sem a devida proteção contra queda. “Não havia proteção coletiva ou individual efetiva que impedisse queda com diferença de nível de até 4,5m. Uma situação de grave e iminente risco que levou à paralisação das atividades”, afirma Flavia Maia, Auditora-Fiscal do Trabalho.

 

Auditora-Fiscal do Trabalho avalia riscos na montagem de estrutura. FOTO: Divulgação

 

DO QUE SE TRATA A INTERDIÇÃO

As irregularidades dizem respeito ao descumprimento das Normas Regulamentadoras (NR) 18 e 35 que tratam sobre as condições no meio ambiente de trabalho na indústria da construção, e dos requisitos e medidas de prevenção para o trabalho em altura.

A Auditoria-Fiscal do Trabalho, no Termo de Interdição, determina, com base na respectiva NR, que:

1. Toda montagem, manutenção e desmontagem de estrutura metálica deve estar sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado;

2. A atividade de montagem e desmontagem deve ser realizada com SPIQ (sistema de proteção individual contra quedas constituído de sistema de ancoragem, elemento de ligação e equipamento de proteção individual, em consonância com a NR-35) e por trabalhadores capacitados que recebam treinamento específico para o tipo de estrutura metálica utilizada

Operário se arrisca durante atividade em altura sem proteção. FOTO: Divulgação

O QUE ACONTECE AGORA

A empresa, após regularização do risco grave e iminente, deve protocolar pedido de levantamento de interdição e, apenas após nova inspeção da Auditoria-Fiscal do Trabalho, poderá retomar as atividades. Durante a interdição, somente podem ser realizados serviços em altura com o intuito de regularização e que não impliquem em novos riscos para os trabalhadores.

Em outro trecho da passarela, que já conta com guarda corpo completo instalado, as atividades em altura não serão paralisadas, por não ter sido constatado grave e iminente risco à integridade física dos trabalhadores.

“A Auditoria-Fiscal do Trabalho segue vigilante na garantia de um trabalho digno e seguro, mesmo em um momento de grande luta para melhoria das nossas próprias condições de trabalho, incluindo a luta para que o Governo Federal cumpra acordo firmado em 2016. Nossa mobilização nacional segue firme, com entrega de cargos e paralisação de atividades, mas somos conscientes da nossa responsabilidade social.” Afirma Diego Barros Leal, presidente da Delegacia Sindical na Bahia do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (SINAIT DS/BA).

 

ASCOM SINAIT DS/BA